Essa nunca publiquei e lembrei-me agora. Éramos adolescentes quase com 18 anos e as noites de sábados as mais esperadas durante a semana. Num desses sábados de verão desci pensado que íamos entrar gratuitamente na danceteria do Clube Monte Líbano, mas os planos da turma era ir para o morro da Urca, o mais baixo do que chamamos Pão de Açúcar.
Até aí tudo bem, mas duas coisas logo me vieram a cabeça, quem tocaria no Morro da Urca, na chamada noites Cariocas e como iríamos até lá? Eu estava com dinheiro suficiente para ir e voltar ae ainda pegar o bondinho que leva ao morro mas e o resto da galera? Não queria bancar o esnobe . Decidimos ir a pé uns dois ou três quilômetros no máximo e subir o morro da Urca também a pê para não pagar entrada pegando uma trilha que se inicia ao longo de outra trilha chamada Cláudio Coutinho. Tudo pensei eu, mas estava de calça branca e a segunda parte da caminhada, uma mini escalada na verdade o que iria sujar minha calça mesmo com todos os cuidados. Entretanto a decisão estava tomada e lá fomos nós. A primeira caminhada era pura especulação de quem iria tocar aquela noite, alguma atração do rock Brasil e torcia para que fosse alguma outra coisa de MPB que as vezes acontecia ou no mínimo o Bãrão Vermelho, Celso Blues Boy ou Blues Etílicos. De qualquer forma tinha o telão salvador onde se projetavam clips de hard e heavy metal.
Vencida a primeira etapa, logo percebemos que a trilha Cláudio Coutinho estava sem vigilância alguma e fomos ainda mais confiantes. Partimos para a escalada final e logo notei que seria o mais prejudicado pois havia chovido na noite anterior e o solo estava lamacento e a vegetação ainda molhada.
Chegamos ao topo do morro da Urca e nos dividimos em grupos para ir aos poucos entrando e não dar bandeira pra os seguranças. De cara fui o o mais zoado porque minha calça estava imunda, o que denunciava o esquema de penetra na festa. Corri para o banheiro e me molhei todo para tirar ou espalhar ainda mais o excesso de sujeira e ainda me joguei no chão pelo caminho na frente de todos para simulando um tombaço, justificar a sujeira e alguns ralados nos cotovelos e mãos. já estava começando a me arrepender.
Todos reunidos e descobrimos que a atração musical da noite seria uma cantora carioca de soul music que por sinal eu não gosto .Arrependimento total, fui até a beirada do muro do morro e contemplei seriamente a ideia do suicídio. Um queda livre até os condomínios ou ter o corpo inerte preso na vegetação de mata atlântica. Pensei no telão e fui momentaneamente demovido da ideia de uma vida abreviada. Fui para a sala de projeções e o telão não estava ainda funcionando, mas em meia hora mais ou menos, o equipamento deu sinal de vida e o primeiro clip exibido foi Flight of Icarus do Iran Maiden, revigorante mas o quase Ícaro ficou a noite toda pensando nesse personagem do panteão mitológico grego e sua quase reencarnação em minha pessoa naquela noite e por motivos diferentes dos originais, nada como o passar do tempos.
Em tempo , lá pelas tantas a reflexão foi aumentada pela repetição de Flight of Icarus e Modern Times do Jefferson Starship e find your Way Back (ache seu caminho de volta) também do Jefferson. Tratei de seguir o conselho da banda e fui para casa A noite estava parcialmente nublada..

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