Ronald Russsel Wallace de Chevalier, "o médico " (era economista!) e o monstro, uma flor de doçura até o primeiro cheiro do malte escocês e um esculhambador de primeira depois do primeiro gole, entrou para o folclore das personalidades cariocas mesmo não tendo nascido no Rio de Janeiro.
Era irmão de Scarlet Ohara e cunhado do cantor e compositor Lulu Santos, mas sua principal caracaterística era o veneno destilado em suas bebedeiras. Foi braço direito de Walter Clark na Tv Globo e Tv Educativa, onde o conheci e autor da expressão "Aspone" - assessor de porra nenhuma - mas trabalhou duro a vida toda e bebia a noite. Quando nos conhecemos por intermédio de Walter, Roniquito como era conhecido foi logo perguntando com a voz pastosa, "Quem é esse imbecil aí?". Antes de qualquer resposta de outros, eu mesmo me adiantei e falei algo que o ididota era aquele que copulava com a mãe dle (de Roniquito). Falei em outros termos, mas falei. O clima que parecia que ia fechar desanuviou e naquele instante nos tornamos amigos e a provocação com sua respectiva resposta passou a ser nossa forma de dizer "E aí cara tudo bem?".
Criamos vários projetos , que transitavam entre bandas de rock a mais conhecida delas se chamava Cavalo de Tróia a programas sem sentido de tv, tudo na base da pura brincadeira.
Mas Roniquito era terrível, uma noite lá pelas tantas uma senhora bem vestida chegou ao bar em Ipanema e sentou-se ao lado dele que perguntou de onde vinha tão formosa dama. A senhora sentindo-se prestigiada disse que vinha do Teatro Municipal onde tinha assistido Maurice Bejart.
Roniquito foi enfático:
- Teatro Munipal, a decadência ilustre e Maurice Bejart uma merda!
Retrucou a senhora:
- O senhor não gosta de Bejart? (coreógrafo francês)
Roniquito foi ultra rápido.
- Não minha senhora, eu gosto de Foder, Pierre Fouder. (que existia mesmo, era um coreógrafo belga que só ele conhecia).
Agora imaginem os risos incontidos ou não com os trocadilhos fonéticos das palavras Bejart e Fouldert.
A rigor a última peripécia de Roniquito aconteceu quando ele foi atropelado por um onibus que o jogou varanda a dentro do restaurante. Já meio quebrado e em pleno vôo, Roniquito passou pelos ares da varanda griatando, "O que foi, vocês não nunca viram o Super Homem?", antes de se esborrachar todo e quebrar de vez vários ossos inclusive uma fratura séria em uma das pernas que o levou a se submeter a várias cirurgias.
Roniquito morreu em casa, muito provavelmente em consequencia da mistura dos analgésicos que tomava pós-atropelamento com o uísque.
Suadades de você cara, de Walter e mais recentemente de Miele também. Valeu!

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