| Sri Krsna Bhagavan excertos da obra Bhagavad-gita |
A natureza material consiste em três modos — bondade, paixão e
ignorância. Ao entrar em contato com a natureza, a entidade viva eterna é
condicionada por esses modos.
O modo da bondade, sendo mais puro do que os outros, ilumina,
livrando a pessoa de todas as reações pecaminosas. Aqueles que estão
situados neste modo condicionam-se a uma sensação de felicidade e
conhecimento. O modo da paixão nasce de desejos e anseios ilimitados, e,
por causa disso, a entidade viva encarnada está presa às ações
fruitivas materiais. Fique sabendo que, no modo da escuridão, nascido da
ignorância, todas as entidades vivas encarnadas ficam iludidas. Os
resultados deste modo são a loucura, a indolência e o sono, que atam a
alma condicionada.
O modo da bondade condiciona o homem à felicidade; o da paixão o
condiciona à ação fruitiva; e o da ignorância, cobrindo seu
conhecimento, o ata à loucura. Às vezes, o modo da bondade se torna
preeminente, derrotando os modos da paixão e da ignorância. Às vezes, o
modo da paixão sobrepuja a bondade e a ignorância. Outras vezes, a
ignorância derrota a bondade e a paixão. Dessa maneira, há sempre
competição pela supremacia.
As manifestações do modo da bondade podem ser experimentadas quando
todos os portões do corpo são iluminados pelo conhecimento. Quando há um
aumento do modo da paixão, desenvolvem-se sintomas de grande apego,
atividade fruitiva, esforço intenso e desejo e anseio incontroláveis.
Quando predomina o modo da ignorância, manifestam-se escuridão, inércia,
loucura e ilusão.
Quando alguém morre no modo da bondade, ele atinge os planetas
superiores puros, onde residem os grandes sábios. Quando alguém morre no
modo da paixão, nasce entre os que se ocupam em atividades fruitivas.
Quando morre no modo da ignorância, nasce no reino animal.
| Os destinos possíveis após a morte segundo os três modos da natureza material. |
O resultado da ação piedosa é puro e se diz que está no modo da
bondade. Mas a ação feita no modo da paixão resulta em miséria, e a ação
executada no modo da ignorância resulta em tolice.
Do modo da bondade, desenvolve-se o verdadeiro conhecimento; do modo
da paixão, desenvolve-se a cobiça; e, do modo da ignorância,
desenvolvem-se a tolice, a loucura e a ilusão.
Aqueles situados no modo da bondade gradualmente elevam-se aos
planetas superiores, aqueles no modo da paixão vivem nos planetas
terrestres, e aqueles no abominável modo da ignorância descem para os
mundos infernais.
Quando alguém vê corretamente que, em todas as atividades, o único
agente que está em ação são estes modos da natureza, e quando conhece o
Senhor Supremo, que é transcendental a todos esses modos, ele então
alcança Minha natureza espiritual. Quando é capaz de transcender estes
três modos associados com o corpo material, o ser encarnado pode
liberar-se do nascimento, da morte, da velhice e dos sofrimentos que são
inerentes a eles, e mesmo nesta vida pode gozar o néctar.
Conforme os modos da natureza adquiridos pela alma encarnada, sua fé
pode ser de três espécies — bondade, paixão ou ignorância. Agora ouça
enquanto falo sobre isso. Segundo sua existência sob os vários modos da
natureza, o homem desenvolve determinada espécie de fé. Segundo os modos
com os quais conviveu, o ser vivo tem uma fé específica.
Os homens no modo da bondade adoram os semideuses, aqueles que estão
no modo da paixão adoram os demônios, e aqueles que vivem no modo da
ignorância adoram fantasmas e espíritos.
| Objeto de culto segundo os três modos da natureza material |
Aqueles que se submetem a rigorosas austeridades e penitências não
recomendadas nas escrituras, executando-as por orgulho e egoísmo, que
são impelidos por luxúria e apego, que são tolos e que torturam os
elementos materiais do corpo bem como a Superalma que mora dentro deste
devem ser conhecidos como demônios.
Mesmo o alimento preferido de cada um é de três espécies, conforme os
três modos da natureza material. O mesmo se aplica aos sacrifícios, às
austeridades e à caridade. Agora ouça enquanto falo sobre as distinções
que existem entre eles.
Os alimentos apreciados por aqueles que estão no modo da bondade
aumentam a duração da vida, purificam a existência e dão força, saúde,
felicidade e satisfação. Estes alimentos são suculentos, gordurosos,
saudáveis e agradáveis ao coração. Alimentos que são muito amargos,
muito acres, salgados, quentes, picantes, secos e ardentes são
apreciados por quem está no modo da paixão. Tais alimentos causam
sofrimento, miséria e doença. Alimento preparado mais de três horas
antes de ser ingerido, alimento insípido, decomposto e putrefato e
alimento que consiste em refugos e substâncias intocáveis atrai aqueles
que estão no modo da escuridão.
Esta Minha energia divina, que consiste nos três modos da natureza
material, é difícil de ser suplantada. Mas aqueles que se renderam a Mim
podem facilmente transpô-la.
| As três categorias de alimentos de acordo com os três modos da natureza material. |
Dos sacrifícios, é da natureza da bondade o sacrifício que por uma
mera questão de dever é executado conforme as direções das escrituras
por aqueles que não desejam nenhuma recompensa. Mas saiba que o
sacrifício executado em troca de algum benefício material, ou por
orgulho, está no modo da paixão. Considera-se que todo sacrifício
executado sem que se levem em consideração a direção das escrituras, sem
que se distribua prasada (alimento espiritual), sem que se
cantem os hinos védicos, sem que se remunerem os sacerdotes e sem que se
tenha fé está no modo da ignorância.
A austeridade do corpo consiste em adorar o Senhor Supremo, os brahmanas,
o mestre espiritual e os superiores, tais como o pai e a mãe, e em
limpeza, simplicidade, celibato e não-violência. A austeridade da fala
consiste em proferir palavras verazes, agradáveis, benéficas e que não
perturbam os outros, e também em recitar regularmente a literatura
védica. E satisfação, simplicidade, gravidade, autocontrole e
purificação da existência são as austeridades da mente. Estas três
espécies de austeridade, executadas com fé transcendental, por quem não
espera benefícios materiais, mas que atua apenas por amor ao Supremo,
chamam-se austeridades em bondade. Afirma-se que a penitência executada
por orgulho e com o intuito de ganhar respeito, honra e adoração está no
modo da paixão. E não é estável nem permanente. Penitência executada
por tolice, com autotortura, ou visando a destruir ou ferir outros, se
diz que está no modo da ignorância.
A caridade dada por dever, sem expectativa de recompensa, no local e
hora apropriados e dada a alguém digno está no modo da bondade. Mas a
caridade executada com expectativa de alguma recompensa, ou com desejo
de resultados fruitivos, ou com má vontade, diz-se que é caridade no
modo da paixão. E a caridade executada em lugar impuro, em hora
imprópria e feita a pessoas indignas ou sem a devida atenção e respeito
diz-se que está no modo da ignorância.
Conforme os três diferentes modos da natureza material, há três
classes de conhecimento, ação e executor da ação. Agora ouça enquanto
falo sobre eles.
Você deve compreender que está no modo da bondade aquele conhecimento
com o qual se percebe uma só natureza espiritual indivisa em todas as
entidades vivas, embora elas se apresentem sob inúmeras formas. O
conhecimento com o qual se vê que em cada corpo diferente há um tipo
diferente de entidade viva, você deve entender que está no modo da
paixão. E o conhecimento pelo qual alguém se apega a um tipo específico
de trabalho como se fosse tudo o que existe, sem conhecimento da
verdade, e que é muito escasso, diz-se que está no modo da ignorância.
A ação que é regulada, e que se executa sem apego, sem amor nem
repulsa, e sem desejo de resultados fruitivos, diz-se que está no modo
da bondade. Mas a ação executada com grande esforço por alguém que busca
satisfazer seus desejos, e efetuada devido a uma sensação de falso ego,
chama-se ação no modo da paixão. A ação executada em ilusão, que não
leva em conta os preceitos das escrituras, e em que não há preocupação
com cativeiro futuro ou com violência ou sofrimento causados aos outros
diz-se que está no modo da ignorância.
Aquele que executa seu dever sem entrar em contato com os modos da
natureza material, sem falso ego, com grande determinação e entusiasmo, e
sem se deixar levar pelo sucesso ou pelo fracasso diz-se que é um
trabalhador no modo da bondade. O trabalhador que se apega ao trabalho e
aos frutos do trabalho, desejando gozar esses frutos, e que é cobiçoso,
sempre invejoso, impuro e que se deixa afetar pela alegria e tristeza
diz-se que está no modo da paixão. O trabalhador que sempre está ocupado
em trabalho contra os preceitos das escrituras, que é materialista,
obstinado, trapaceiro e perito em insultar os outros, e que é
preguiçoso, sempre desanimado e irresoluto diz-se que é um trabalhador
no modo da ignorância.
Agora, por favor, ouça enquanto lhe falo com detalhes sobre as
diferentes espécies de entendimento e de determinação, segundo os três
modos da natureza material.
Esta compreensão pela qual se sabe o que deve ser feito e o que não
deve ser feito, o que se deve temer e o que não se deve temer, o que
prende e o que liberta, está no modo da bondade. A compreensão que não
distingue entre religião e irreligião, entre a ação que deve ser
executada e ação que não deve ser executada, está no modo da paixão. A
compreensão que considera a irreligião como religião e a religião como
irreligião, que está sob o encanto da ilusão e da escuridão, e se
esforça sempre na direção errada está no modo da ignorância.
A determinação que não cede, que através da prática de yoga
ganha muita firmeza, e controla assim as atividades da mente, da vida e
dos sentidos, é determinação no modo da bondade. Mas a determinação pela
qual o homem se atém aos resultados fruitivos da religião, do
desenvolvimento econômico e do gozo dos sentidos é da natureza da
paixão. E a determinação que não pode transpor o sonho, o temor, a
lamentação, a melancolia e a ilusão — tal determinação ininteligente
está no modo da escuridão.
Agora, por favor, ouça enquanto falo sobre as três espécies de felicidade em que a alma condicionada desfruta.
Aquilo que no começo pode parecer veneno, mas que no final é tal qual
néctar e que causa o despertar da autorrealização diz-se que é
felicidade no modo da bondade. A felicidade que deriva do contato dos
sentidos com seus objetos e que parece néctar no começo porém no final é
um veneno diz-se que é da natureza da paixão. E se diz que a felicidade
que é cega para a autorrealização, que é ilusão do começo ao fim, e que
surge do sono, da preguiça e da ilusão é da natureza da ignorância.
Aqui ou entre os semideuses nos sistemas planetários superiores, não
existe ser algum que esteja livre destes três modos nascidos da natureza
material.
daivī hy eṣā guṇa-mayī
mama māyā duratyayā
mām eva ye prapadyante
māyām etāṁ taranti te
mama māyā duratyayā
mām eva ye prapadyante
māyām etāṁ taranti te
TRECHOS DA PALESTRA PORQUE ESCOLHER A BONDADE COM CHANDRAMUKHA SWAMI

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