Miles Davis efetivamente
constitui, sozinho, um capítulo à
parte dentro do jazz. Pode-se dizer, sem medo
de errar, que ele foi uma verdadeira força
propulsora do jazz durante mais de quarenta anos.
Seu som ao trompete, puro, macio e quase sem vibrato,
emitido freqüentemente com o uso da surdina,
e seu fraseado conciso e despojado tornaram-se
marcas registradas. Sua personalidade difícil,
às vezes contraditória, também.
Fundador do cool-jazz, do jazz modal, do jazz-rock e da fusion ,
Miles fez da renovação das linguagens
o principal impulso gerador de sua música.
Sua carreira, inciada
dentro dobebop,
apresentou uma fase brilhante já em 1948-1950,
com a formação da célebre
Miles Davis-Capitol Orchestra, onde o genial
arranjado rGil Evans começou a escrever
verdadeiras obras-primas que davam todas as condições
para a expressividade de Miles. A colaboração
Miles-Evans continuou ao longo dos anos 50. Os
arranjos de Evans não têm paralelo
em nenhuma big band: trata-se de peças
impressionistas, com estruturas elaboradas, texturas
timbrísticas sofisticadas, revelando influências
variadas que incluíam, por exemplo, a música
espanhola.
Paralelamente ao trabalho com Gil Evans, Miles dava, a partir de 1949, os contornos ao nascente estilo cool, eminentemente apropriado à sua maneira intimista de tocar, gravando as sessões intituladas Birth of the Cool.
De 1956 em diante,
Miles lidera um quinteto / sexteto que, através
de suas várias formações,
entraria para a história do jazz. Para
se ter uma idéia dos talentos envolvidos,
inicialmente o quinteto contava com o saxofonista John Coltrane,
o pianista Red Garland, o contrabaixista Paul
Chambers e o baterista Philly Joe Jones; esta
formação gravou a série de
discos intitulados Relaxin', Workin', Steamin'
e Cookin'. Com a entrada do sax alto Cannonball
Adderley, o conjunto se tranformou no sexteto
que gravou Milestones. Em 1959 Red Garland
foi substituído por Bill Evans e Wynton Kelly, que se revezavam ao
piano, e Jones cedeu o lugar a Jimmy Cobb, no
sexteto que gravou um dos discos mais cult do
jazz de todos os tempos, Kind of Blue.
Com esse grupo, Miles começou a explorar
o jazz modal, usando combinações
harmônicas mais livres do que a harmonia
tonal tradicional, e improvisando mais sobre os
acordes do que sobre a melodia do tema. Em 1960-1961,
houve pequenas mudanças, mas a base era
mantida: ora Cannonball Adderley cedia o lugar
a Sonny Stitt ou Hank Mobley, ora Jones voltava
a assumir a bateria; o grupo também podia
se reduzir a um quinteto, com apenas Coltrane
ao tenor.
Paralelamente ao trabalho com quinteto e sexteto, Miles retoma a colaboração com Gil Evans e grava (respectivamente, em 1958 e 1960) duas obras-primas absolutas com orquestra:Porgy and Bess e Sketches of Spain.
Paralelamente ao trabalho com Gil Evans, Miles dava, a partir de 1949, os contornos ao nascente estilo cool, eminentemente apropriado à sua maneira intimista de tocar, gravando as sessões intituladas Birth of the Cool.
Paralelamente ao trabalho com quinteto e sexteto, Miles retoma a colaboração com Gil Evans e grava (respectivamente, em 1958 e 1960) duas obras-primas absolutas com orquestra:Porgy and Bess e Sketches of Spain.
Em 1964 surgiu uma formação inteiramente nova do sexteto, com George Coleman ao sax tenor,Herbie Hancock ao piano,Ron Carter ao contrabaixo e o brilhante adolescente Tony Willian à bateria. (Hancock, Carter e Williams ocasionalmente foram substituídos, respectivamente, por Frank Butler, Richard Davis e Victor Feldman). Em 1965 a chegada do talentoso saxtenorista e compositor Wane Shorter dá consistência ainda maior ao grupo. Ao lado de Shorter, Hancock, Carter e Williams, Miles grava discos como E.S.P., Miles Smiles, Sorcerer, Nefertiti e são recolhidos notáveis registros de shows ao vivo no Plugged Nickel Club de Chicago (hoje restaurados em sua totalidade, constituindo aquilo que Richard Cook e Brian Morton denominaram "a Pedra de Roseta do jazz moderno")
No final dos anos
60, Miles se encaminha para mais uma renovação
estética, começando a fazer experiências
com a fusão entre jazz e rock. Nessa fase, fica novamente
em evidência uma faceta de Miles que já
havia se manifestado com o quinteto dos anos 50:
o descobridor de talentos. Para formar seus conjuntos
de jazz-rock, Miles convoca os tecladistas Herbie Hancock e Chick Corea e Joe Zawinul, os bateristasTony Willians
e Jack DeJohnette, os contrabaixistas Dave Holland e Ron Carter r, o guitarrista John MacLaughinn, o saxofonista Wayne Shorter, o organista Larry Young, entre
outros. O jazz-rock, do qual Miles estava se aproximando
gradativamente com os discos In a Silent Way
e Filles de Kilimanjaro, nasce efetivamente
com o revolucionário (e ainda hoje moderno)
álbum duplo de 1969, Bitches Brew.
Com Live/Evil, de 1970, e alguns outros discos até 1972, encerra-se uma fase na carreira de Miles e tem início outra, ainda mais controversa que a de Bitches Brew. Durante os anos 70 e 80, Miles continua realizando experiências com a integração de linguagens, renovando completamente seus conjuntos com músicos pouco conhecidos, afastando-se do jazz (mesmo do jazz-rock) e aproximando-se do funk até do hip-hop. Mas, como se trata de Miles, nem por isso tal fusão se torna trivial ou comercial. Embora as opiniões se dividam acerca das obras desse período, o som de Miles continua inconfundível, e sua poderosa mente musical continua claramente no controle.
Em 28 de setembro de 1991 o trompete de Miles silencia. Sua obra - vasta, multifacetada, evolutiva, desbravadora, ora hermética, ora lírica - irá certamente fornecer material para análise e motivo de puro deslumbramento para muitas gerações.
Com Live/Evil, de 1970, e alguns outros discos até 1972, encerra-se uma fase na carreira de Miles e tem início outra, ainda mais controversa que a de Bitches Brew. Durante os anos 70 e 80, Miles continua realizando experiências com a integração de linguagens, renovando completamente seus conjuntos com músicos pouco conhecidos, afastando-se do jazz (mesmo do jazz-rock) e aproximando-se do funk até do hip-hop. Mas, como se trata de Miles, nem por isso tal fusão se torna trivial ou comercial. Embora as opiniões se dividam acerca das obras desse período, o som de Miles continua inconfundível, e sua poderosa mente musical continua claramente no controle.
Em 28 de setembro de 1991 o trompete de Miles silencia. Sua obra - vasta, multifacetada, evolutiva, desbravadora, ora hermética, ora lírica - irá certamente fornecer material para análise e motivo de puro deslumbramento para muitas gerações.





















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