Love Radha Krishna

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Memórias: Posse Presidencial


Porra, só iniciando assim, fomos escalados eu e Lincoln para cobrirmos a posse presidencial depois de anos de chumbo na merda deste país. Tentamos de tudo para não ir, eu pedi a médica gostosa que já havia comido em casamento, jurei que pararia de beber, mas ela não acreditou. Nem eu acreditava nisso naquela época.
Lincoln tentou uma internação psiquiátrica, mas foi reprovado na avaliação, era muito maluco para ser internado naquela instituição.
Como prêmio teríamos uma semana de regalias na capital federal.
- Será que as putas estão incluídas nesse pacote David?
- Se não tiver a gente faz umas notas frias no hotel e apresenta na volta.
Isso nós fizemos e comemos paulistas, goianas e mineiras. Não fodemos as nossas conterrâneas porque resolvemos que isso sim seria sacanagem, sair do Rio de Janeiro para comer uma carioca. Até hoje desconfio  que Lincoln quebrou o pacto. Na hora da prestação de contas o troço não tava batendo direito, mas passou devido a um acidente que tive. Acabamos contabilizando antibióticos, gazes, antiinflamatórios analgésicos e vários atendimentos médicos, que não existiram, alem de uma dúzia de garrafas de uísques a mais. E ficou tudo dentro dos conformes, ao menos posso dizer que o governo federal já me financiou putas gostosas e bem sacanas, serviço completo.
Antes do acidente, fomos conhecer a capital e sempre nos perdíamos, não há pontos de referencias como padarias, puteiros, loja de tecidos, armarinhos, mercados, nada disso, tudo igual.
Nosso anfitrião era o Miro, que tinha pedido transferência para capital fazia  uns aninhos. Ele nos apresentou a várias pessoas, generais e uma turma da pesada que tinha servido aos governos militares. Um desses babacas cinco estrelas nos convidou para passar o réveillon em sua mansão a beira do lago. Miro falou que seria uma desfeita recusar, o cara tinha sido chefe do SNI.
- Agora que eu não vou, chefe da tortura, tô fora!
- David, a gente vai, bebe a porra da bebida do velho toda, come a mulher dele na marra e as filhas também, depois a gente se manda.
- Querendo ou não, vocês terão que ir, nem que seja por meia hora – disse Miro.
Recebemos um adicional extra para ficarmos ate depois da posse. Cada um abriu seu envelope e tava bem recheado.
- Hoje não tem garçom triste nem puta pobre na cidade.
- As putas!
Descemos para o bar do hotel e fizemos a seleção, cada um levou três para seu respectivo quarto. Se demos conta de todo esse material é outra estória, mas posso falar que meu desempenho foi acima da média.
A noite tinha uma festa no apartamento de um deputado influente. Eu não conseguia me levantar de tão exausto e já passava das 23 horas.
-Levanta filho da puta que o Miro já está indócil nos esperando.
- Lincoln,  diz que fui acometido por um mal súbito, bucetitis agudas.
-Não dá, ela sabe da orgia, toma um trago e encara.
- Sobrou algum dinheiro teu?
- Não e você?
- Liso, mas feliz.
- Te encontro lá embaixo.
- Tá bom.
Fomos a tal festa do deputado, a fina flor da sociedade estava lá, inclusive uma das putas que comi, fingi que não a conhecia. Sei lá se ela era filha de algum figurão!
Tinha também muita maconha, pó e uísque, No uísque caí dentro, maconha teve que ser escondido e pó dispensei. Tinha muito viado também, mas eles formavam um grupo a parte.  Não sei ate hoje porque não se enturmaram com o restante dos convidados. O mais curioso e perigoso dessa merda de festa é que  estavam presentes os componentes de duas bandas de rock muito famosas. Todos muito chapados de drogas lícitas e ilícitas.
Eles eram bajulados, mas não tanto, como eu sempre fui fã de rock de verdade, apenas disse - oi rapaziada e me entreti com um gordo que contava piadas sem graça. Muito depois é que percebi o perigo, Lincoln estava pálido.
Nós estávamos no quarto ou quinto andar e a brincadeira dos roqueiros era pular de uma varanda para a varanda do vizinho, sendo que entre as duas o espaço beirava os dois metros. Quando vi aquilo fiquei realmente com medo. Se alguém caísse, eram mortes certas e os escândalos, jornalistas, putas, deputados e drogas! Peguei Lincoln pelo braço e fomos embora, chamamos Miro e ele concordou.
Depois, foram dois dias no ar condicionado do quarto de hotel curtindo uma ressaca do cacete e saudades de minha terra. Passar o ano novo naquele lugar e ainda por cima na casa de um ex-chefe do SNI era sacanagem! Mas estava a trabalho. Pensei na médica gostosa que já não queria nada comigo, fiquei ainda mais deprimido.
Chegou o grande dia, a mansão do general tava apinhada de gente, alguns eu reconheci da festa de malucos. O uísque excelente, eu mandando ver, Lincoln nem  se fala. Miro mais enturmado, não se preocupava conosco.
Fui tomar ar no jardim, e vi que as casas a beira do lago tem jacarés que ficam lá na boa, à custa do dinheiro publico. Talvez fosse os cachorrinhos de estimação do velho escroto ou pior, talvez os desaparecidos políticos estivessem dentro dos buchos daqueles bichos. Cismei que tinha que escrotizar com ao menos um daqueles jacarés de merda.
Pensei muito e escolhi o maior porque ele jamais conseguiria se virar para me morder, minha fabulosa idéia era sacudir o réptil pelo rabo até ele ou eu cansar. Contei meu plano para o Lincoln, ele a principio ficou tenso, contudo teve uma idéia complementar. Se eu conseguisse segurar o jacaré pelo rabo, ele iria despejar um litro de uísque goela abaixo do bicho. Não teria erro.
Meia noite, fogos espocando e nós chegando perto do jacaré escolhido. Consegui com certa facilidade segurar a cauda do jacaré e ele realmente não tinha flexibilidade para se virar e me morder, mas resistiu. Lincoln conseguiu derramar mais uísque na grama do que na boca do jacaré que se contorcia muito, ainda assim, hoje considero nossa missão cumprida.
Saímos dali rapidamente e senti minhas mãos molhadas, gotejando. A porra do rabo do jacaré é feita de escamas que mais parecem lâminas, me cortou todo. O filho da puta do réptil tinha me sacaneado. Miro nos deu um esporro fenomenal e me levou para o hospital onde tive que contar a estória para uma porrada de médicos e policiais que não acreditavam. Ninguém naquela porra me atendia, cacete, e eu sangrando! O que será que eles pensavam que eu tinha enfiado a mãos no cú de algum ministro ou alienígena?
Minha sorte foi uma enfermeira retirar de minha mão um pedaço de escama e o Miro ligar para o general babaca que confirmou tudo.
Finalmente fui atendido e fiquei com as duas mãos enfaixadas  com alguns pontos. Uma dor do caralho, e muita gozação do Miro e Lincoln.
- Quero ver você tocar punheta agora,  filho da puta!
- Vou pedir esse favor para sua mãe.
- Com a dor que você tá sentindo, tive que cancelar a visita da Vera Fisher no teu quarto, ela vai para o meu.
- Não fode vocês dois.
No dia seguinte, a posse presidencial. Entupido de analgésico até a alma e que não fazia muito efeito, além de uma previsível febre, fomos cumprir nosso dever profissional, a cobertura jornalística do dia da vitoria da democracia e outras babaquices do gênero que a imprensa adora inventar.
Devido as minhas péssimas condições, fiquei na retaguarda da nossa equipe e saiu tudo conforme o planejado, transmissão perfeita, só não pude apertar a mão do presidente.
Ainda bem, o cara era um tremendo filho da puta e foi deposto no meio de seu mandato. Bendito Jacaré!





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