Love Radha Krishna

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domingo, 6 de setembro de 2015

Sobre a música e as mulheres em minha vida!




Já na minha infância e adolescência eu era paparicado por duas irmãs lindas e famosas, Nara e Danuza Leão, um bom presságio. 



Os bons ventos me levaram para os Estados Unidos. Na verdade para estudar, coisa que nem passei por perto.  Desde aqueles tempos o ensino no Brasil já era uma bosta mesmo. Poderia ter estudado na América e virar um engravatado, contudo, preferi outra coisa.
Na metade dos anos 60, em plena ebulição da contracultura, estava em São Francisco. Muitas bandas surgindo, gente louca, protestos e no número 69 da Haight-Ashbury  conheci uma cantora incrível que viria a ser a minha primeira namorada. Seu nome, Grace Slick, oriunda da banda Jefferson Airplane, juntamente com Jack Cassady, Jorma Kaukonen e Paul Kantner.
Grace era incrível, dona de uma personalidade ímpar, olhos azuis e muito inteligente,  uma verdadeira representante do acid-rock e fui viver com ela.



 Acompanhei a banda para o Festival de Monterrey. Foi o primeiro festival do que viria ser o inicio da ERA DE AQUÁRIO e  tudo ia bem até a entrada do BIG BROTHER & THE HOLLDING COMPANY com uma cantora num terninho lamê,  pensei: Seria uma banda com mais uma cantora e nada ia superar a minha Grace. Quando ela abriu a boca no tema BALL AND CHAIN. Eu estava ao lado de Cass Elliot do Mama's and Papa's e disse UAU!!! o que é isso?? Perguntei a Cass, ela me disse: é uma cantora de São Francisco, chamada Janis Joplin, eu mais uma vez disse UAU!!! Logo adentrei ao camarim e percebi que ia ser uma paixão em 12 compassos. Conversamos, rimos, e logo ela disse: Cara, gostei de você, o que tu vai fazer hoje? Deu para adivinhar onde fui parar naquele dia com Janis, Em Monterrey.


Mais tarde soube que Grace e Janis eram amicíssimas e tratei logo de falar a verdade para Grace que prontamente entendeu e me disse que estava vivendo junto com  guitarrista do Jefferson,  Paul Kantner e seguiu em frente com a banda. Em seguida fomos a Woodstock naqueles três dias na FEIRA DE ARTE E MÚSICA DE WOODSTOCK. Foi um festival magnífico que entraria para os anais da História da Contracultura e dos movimentos pacifistas.
Viemos eu e Janis ao Brasil e curtimos os inferninhos onde surgiu a Bossa Nova que tanto gosto  lá no Beco das Garrafas.  Em Ipanema dei uma olhada gulosa numa baianinha que se chamava Gal, mas Janis era muito ciumenta. Voltamos a América e um dia recebo do músico Sam Andrew, um atestado de óbito de Janis no qual constava meu nome como viúvo. Fiquei atordoado e desde então Janis passou a me acompanhar. Refugiei-me na Acid Queen que mais tarde seria hiper famosa com o nome de Tina Turner. Nos anos oitenta no estádio do Maracanã, reencontrei Tina e no improvisado camarim quebramos copos e garrafas de champanhe numa cena tórrida de sexo.


Janis não gostou nada!  Ná época de sua morte, meu visto de permanência na América estava por expirar;  me mandei para a Inglaterra.
Os tempos foram mudando e fui acompanhando essa evolução, numa dessas andanças em Londres,  me deparei com uma cantora meio lírica, meio popular, com uma voz de soprano bem afinada, linda de cabelos escorridos do jeito que sempre gostei. Estava com uma banda da pesada,  intitulada Renaissance. Longos temas, complexidade nos arranjos e com um baixista da pesada. Seu nome, Jon Camp,  que logo tratei de pegar umas aulas com ele.
Ela me convidou para ver um ensaio da banda e lá permaneci. E como sou muito desligado, somente mais tarde perguntei o seu nome. Prontamente ela esboçou um sorriso e falou: Sou Annie Haslam, muito prazer, estendi a mão e fomos a um pub londrino e ficamos conversando sobre um som que estava  transformando  inúmeras bandas. Fazendo uma fusão de música clássica, folk, música celta, longas passagens instrumentais que estava recebendo a alcunha de ROCK PROGRESSIVO e passei a gostar desse som. Nem de longe soava como as bandas de São Francisco, exigia uma audição mais refinada por causas das grandes mudanças de compassos, forma e estrutura. Fui ficando fascinado por esse som e cada vez mais louco por Annie, moramos juntos numa aldeia em Yorkshire. Muitos concertos, gravações e muito amor com esse anjo do grupo Renaissance e fomos felizes por um longo tempo.



Certa vez, na Alemanha, uma banda recém-formada foi convidada a abrir a temporada de concertos do Renaissance.
Um grupo razoável com uma morena de cabelos escorridos e cantando num tom mais grave e som mais agressivo.
Nos bastidores  perguntei o nome dela para o Manager, ele  me disse que era Sonja Kristina líder do grupo  Curver Air com Darryl Way no violino elétrico. Gostei da banda, ainda mais da sua vocalista. Não sabia o que dizer para Annie e mal conhecia Sonja. Terminada a excursão... Fui me chegado em Sonja que prontamente se mostrou solicita a mim e fomos nos envolvendo, quando ela me reportou: Estou precisando de um  “roadie”, quer vir conosco? Na hora respondi: Sim!!!  E num impulso, dei-lhe um beijo que ela foi aceitando passivamente e com uma linda piscada deu para entender tudo. Tive que levar um papo sério com Annie. E mais tarde, o Renaissance de um lado e nós de outro para mais uma série de concertos. Logo o romance terminou, Janis não curtia rock progressivo e  namorar cantoras deste gênero de música estava me dando muito trabalho, pois elas são mais cerebrais, pensam o tempo todo, filosofam muito...



Tratei de ficar sozinho e seguindo  estrada. Décadas depois reencontrei Annie na concha acústica de Petrópolis e rolou um clima de saudosismo dos velhos tempos com vinho e uns amassos. Quanto a Sonja, ela me enviou uma carta no início da década de 80 dizendo que estava casada com o  ex- baterista do Curved Air, Stewart Copeland  que mal sabia que  que estava prestes a ficar milionário no The Police.
Retornando mais uma vez ás minhas aventuras e sempre com o visto do passaporte vencido, outra vez consegui entrar nos Estados Unidos.
Comecei as minhas andanças em Laurel Canyon, quando entrei num bar e parei para ver uma cantora super afinada tocando um violão de aço com afinação alternada e que estruturava  acordes sem muita dificuldade, letras inteligentes e sofisticação. Acabamos ficando  juntos.
Ela estava sempre inquieta com o seu som e sempre que podia eu dava a  força que precisava. Uma  noite, estávamos ouvindo um disco do Charlie Mingus,  logo ela teve um estalo e me revelou: David, vou colocar letra em alguns temas do Mingus o que você acha?  Dei um belo sorriso e afirmei: “Vai ser bárbaro e chame  aquele baixista que gravou contigo o disco HEJIRA”. Claro que pensei logo nele, o Jaco Pastorius, sem ele não tem o menor sentido esse disco e assim  foi feito  MINGUS  um grande projeto da vida dela com Hancock, Shorter, Erskine e pude ver tudo aquilo de camarote petrificado com a genialidade desses músicos. Saímos para um concerto que viria ser um marco na sua carreira, um lugar lindo com palco natural e uma plateia atenta. O Santa Bárbara County Bowl, em 1979 que culminou no disco "SHADOW AND LIGHT" que Joni me dedicou. Para esse concerto, ela montou uma banda da pesada com Pat Metheny, Michael Brecker, Don Alias, Lyle Mays e o Jaco quebrando tudo. Temas como Black Crow e Coyote ilustram bem o que foi aquele concerto. A minha vida ao lado do Joni Mitchell foi uma das melhores, simplicidade, sofisticação, beleza e doçura, tudo isso foi Joni Mitchell em minha vida.




Porém, fui alertado por Janis que o FBI  queria  me deportar e para não atrapalhar a carreira de Joni retornei ao Brasil e em plena ditadura, comecei a frequentar as dunas do barato em Ipanema ou dunas da Gal. Nessa fuga do FBI, fui ajudado por uma cantora folk Emmylou Harris, conhecedora das estradas secundárias da América, como Jack Kerouac e Neal Cassady. Até hoje guardo doces recordações dela.


Retornando ao texto e ao Brasil, fui paras as já citadas dunas do barato ou dunas da Gal em Ipanema. Sim, a Gal que se tornara cantora famosa com o nome de Gal Costa.  Meu lance com Gal foi legal e só não emplacou mesmo porque Janis não deixou. 


O clima tenso e brabo do Brasil me fez voltar para a América mais uma vez e de cara conheci uma guitarrista de hard rock, Lita Ford, foi bom.


Contudo, Janis armou para que eu esquecesse de todas ao me apresentar à uma inglesa colecionadora de casos, casamentos e namoros sem grandes durações que estava na América com sua banda The Pretenders. O  nome dela, Chrissie Hynde.


Um breve namoro com as irmãs de Seattle Ann e Nancy Wilson com seu grupo Heart, que misturava ecos do Led Zeppelin com baladas próprias. Elas obtiveram um certo sucesso com o tema  "BARRACUDA" entretanto, “ménage a trois”  feito com irmãs não deu certo mesmo.


Antes de retonar ao Brasil novamente, tive dois pequenos romances com cantoras brasileiras que vivem nos Estados Unidos, Eliane Elias e Bebel Gilberto.
 


Os tempos foram mudando, e já tinha findado os anos 70, 80 e os 90 prometiam tempos nebulosos na música e na minha já falida relações com mulheres fantásticas e geniosas.
Parecia que minha sorte com as mulheres estava  acabada por culpa de Janis, Eu até fui num centro espírita para despachá-la de vez  da minha vida, mas me arrependi. Com tantas saudades, pela lei de atração Janis veio ficar comigo novamente. Na cama com MADONA não fui convidado, ela sabe o que penso da música dela, pior para ela.
Por efeito do ofício de jornalista fui entrevistar os Rolling Stones no Copacabana Palace, fumei unzinho com Keith Richards e Ron Wood. Mick Jagger foi extremamente simpático, contudo Lisa Fischer foi direta e me deu a chave do seu quarto. Mal vi a apresentação do Stones na praia de Copacabana pensando na noite que teria com Lisa. Talvez tenha sido uma das melhores, eu berrando trechos da música SYMPATHY FOR THE DEVIL, UH UH e Lisa me pedindo abrigo em GIMMIE SHELTER.  O amanhecer trouxe uma luminosidade diferente na tez negra de Lisa contrastando com a minha. 



Nosso caso terminou elegantemente em Búzios onde dizem que na minha infância, uma noite, fui ninado por Brigitte Bardot dedilhando seu violão.


Um velho amigo e genial músico brasileiro chamado João Donato me convidou para assistir sua apresentação com a cantora CEU numa edição do Rock in Rio e até me apresentou a um de meus heróis musicais João Gilberto, pai Bebel Gilberto. Janis perdeu a paciência comigo. Acabamos indo com Donato para o Rock in Rio. Sua apresentação foi foda como sempre, porém uma colombiana de quadris convidativos me chamou atenção, era uma moça chamada Shakira. Os tempos eram outros e mal consegui me aproximar do camarim de Shakira mas ainda tenho esperanças de cruzar minhas pernas com as dessa colombiana.


De repente naquele Rock in Rio, ouço uma voz estranhamente familiar. Pensei que era a Janis me aprontando mais uma, porém, me enganei. Era uma inglesinha de vinte e poucos anos, Joss Stone. Com essa dei mais sorte, mas aí sim Janis resolveu melar nossa relação. Joss parecia a reencarnação de Janis que perdeu as estribeiras. Logo ela tratou de nos separar.


Pensei em ir para Bahia, mas Janis não deixou por causa das cantoras baianas. Eu nem estava interessado nelas e mal sei o que cantam. Porém, Janis não quis arriscar. Fomos eu e Janis dar um rolé mundo afora e na Alemanha conheci uma gata, Doro Pesch que canta heavy metal. Muita zoeira e logo Janis irritada com esse mais novo romance me persuadiu a conhecernos a Ásia.


 Na Índia me aprofudei na filosofia vaishnava e namorei sério com a maestrina e exímia na arte de tocar cítar, Anouskha Shankar, filha do lendário Ravi Shankar, Sua irmã Norah Jones não conheci.



Outra vez Janis perdeu linha e regressamos de vez ao Brasil, Tudo bem, continuo com Janis, sosseguei, tornei-me Hare Krishna - fato que deveria ter realizado ainda no útero materno - e para uma vida só até  que não fui tão mal assim, está de bom tamanho... Que a Janis não nos ouça, mas bem que a Shakira poderia ser a saideira. Estoy aqui!


Janis realmente é um pedaço de meu coração, Piece of my  Heart, clip abaixo 




 








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