Filha caçula do casal capixaba Jairo Leão, advogado, e Altina Lofego Leão, professora. Pelo lado materno era descendente de imigrantes italianos , na região da Basilicata, que imigraram para o Espírito Santo no século XIX (famílias D'Amico e Lofiego). Nara nasceu em Vitória e mudou-se para a o Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a modelo e jornalista Danuza Leão. Durante a infância, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patrício Teixeira, ex-integrante do grupo "Os Oito Batutas" de Pixinguinha. Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, em Copacabana. Aos 18 anos, Nara tornou-se professora da academia.
A Bossa Nova nasceu em 1957, quando Nara fazia reuniões no apartamento de seus pais, localizado no edifício Champ-Elysées, em frente ao posto 4, da Avenida Atlântica em Copacabana, das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Rooberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Ronaldo Bôscoli de quem foi noiva. Nara se aproxima de Carlos Lyra, que rompeu a parceria musical com Bôscoli em 1960, e de ideias mais à esquerda. Inicia um namoro com o cineasta Ruy Guerra e se casa com ele um tempo depois. Nessa época passa a se interessar pelo samba de morro.
A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinícius de Moares e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sergio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o golpe militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 60. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito da época. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Fetival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e público brasileiro.
Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O barquinho, A Banda e Com Açúcar e com Afeto -- feita a seu pedido por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980.
Em 1966, a cantoria tira férias e viaja por toda Europa e Nova Iorque
com a família. Ao voltar, começa a trabalhar como apresentadora de
programas de TV e continua gravando discos e fazendo shows. Neste ano
começou a namorar o cineasta Cácá Diegues. Em seis meses de namoro, o casal fica noivo.
Em 1967 retorna a participar de festivais de música e a fazer shows
internacionais. Em 26 de Julho casa-se no civil e na igreja com Cacá
Diegues. Os dois continuam vivendo em Copacabana. Com a agenda cheia de
compromissos profissionais, o casal adia a viagem de lua de mel,
acabando por passá-la no Rio. No fim do ano, surge um convite para Nara
cantar em Paris.
Entusiasmada, leva o marido junto e lá finalmente eles têm a lua de mel
que tanto planejaram. Ao voltar para o Rio e por influência do marido,
começa a fazer cursos de teatro e a fazer participações como atriz no
cinema.
No ano de 1968 começa a apresentar musicais em teatros de Ipanema.
Também passa a se envolver mais com política, e junto com o marido,
participa de protestos e manifestações públicas contra a ditadura. Nara
começa a compor melodias contra o governo militar, indo claramente
contra a ditadura, o que passa e incomodar os governantes, que
instalaram a censura.
Em 1969, Nara aparece cantando rapidamente no filme dirigido pelo marido, Os Herdeiros, assim como Caetano Veloso.
Diminui seus shows no Brasil, pois se vê ameaçada no país: O governo
estava mandando prender qualquer um que fosse contra a ditadura e Nara estava nessa lista, Carlos Drummond de Andrade publicou o poema Por Favor Não Prendam Nara Leão no Jornal do Brasil. A barra pesou e Nara aceita sair do país para fazer uma série de shows em Portugal.Ao voltar para o Brasil, Nara e Cacá perceberam que ainda estavam na mira da ditadura e se exilaram em Paris retornando ao Brasil com dosi filhos (Izabel e Francisco) em 1972.
Nara volta a gravar e se forma em psicologia pela PUC-RJ. Fomos eu e Nara, além de vizinhos, filhos da PUC.
Nara em 1975 foi eleita a melhor cantora do ano. e em 1979,
fazendo muito sucesso, Nara sentiu-se muito mal, com dores fortes de
cabeça, tonturas e desmaio, e ficou internada. A cantora descobre
possuir um tumor inoperável no cérebro. Ele surgiu de um coágulo e
jamais poderia ser operado, pois estava numa área delicada do cérebro.
Caso fosse operada, a cantora faleceria na cirurgia e caso sobrevivesse,
teria sequelas, como ficar cega ou paralítica. Apavorada, a partir daí
entrou em depressão e começou a tomar remédios fortíssimos para tentar
diminuir o tumor, que era benigno. A descoberta desta doença contribuiu
para Nara abandonar a carreira musical, mas voltou atrás e no ano
seguinte retornou com muito sucesso.
Apesar de seu emocional abalado, isso não a fez se entregar a depressão: Nos anos 80
fez mais sucesso aindao, viajando o Brasil e o mundo, lançando novos discos,
gravando canções, atuando em muscais no teatro e fazendo parcerias
musicais. Nesta época viajou para o Japão,
onde divulgou a Música Popular Brasileira. De vez e quando passava mal
em algum show, mas logo se restabelecia. Começa a fazer shows sozinha
com seu violão, e também volta a se interessar por política,
participando de eventos públicos a favor da eleição direta para
presidente no Brasil.
Em 1986 sua saúde piora, passando a ter dores mais fortes de cabeça e
esquecimento das coisas que fazia. Sua dose de remédios fora aumentada e
descobriu-se que seu tumor cresceu, mas também diminuiu, porém não
desaparecia. Nara passa a maior parte do ano em repouso e internações,
apesar de ainda fazer pequenos shows pela Zona Sul do Rio,lembro-me de ter assistido alguns dessas apresentações.
Em 1987 e 1988,
tem uma considerável melhora de saúde e passa a fazer temporadas de
shows em casas noturnas do Rio com alguns integrantes de seu grupo de
bossa nova da adolescência.
Em 1989 fez sua última apresentação noPará.
Ao voltar para o Rio, sua saúde piorou e precisou ficar internada por
meses, quando seu tumor cerebral rompeu, ocasionando uma hemorragia. A
cantora faleceu na Casa de Saúde São José, no dia 7 de junho.
Seu último disco foi My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.
Em 2002, seus discos lançados anteriormente em LPs foram relançados em duas caixas de CDs separadas - uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989 (atualmente a caixa é única com todos os CDs)
- trazendo também faixas-bônus e um livreto sobre sua biografia. Mesmo
depois de ter morrido há anos, suas músicas ainda eram sucesso, como até
hoje são.
Em 2007, a cantora Fernanda Takai gravou o disco Onde Brilham os Olhos Seus, onde interpreta canções típicas do repertório de Nara Leão, fazendo assim uma homenagem. Em janeiro de 2012, seu acervo de fotografias, músicas e documentos foi digitalizado e aberto para consulta no site www.naraleao.com.br
Que saudades daquela moça linda que sempre cordialmente me cumprimentava todas as manhãs com um singelo "Olá garoto como vai?" nas manhãs de Copacabana nas quais eu ia surfar. Nara Lôfego que tinha fôlego de Leão, você tá fazendo uma falta tremenda, guria!





















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