Love Radha Krishna

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Memórias: O morto, corridas e uma conhecida guranição da PM



Eu não escrevo, me lembro. E esse episódio me veio ao consciente enquanto tomava banho num calor forte e um de meus gatos se refastelava em minhas roupas no chão do banheiro, Só constar.
Ainda sobre o Clube da Esquina de minha adolescência, me veio a memória a infame brincadeira do morto. Muito simples de se explicar. Um era escolhido para ser o morto, enquanto os demais o velavam na calçada. Sim, havia uma produção para isso, levávamos velas, jornais (para cobrir o morto) e roubávamos de uma rede de fast food boba - não resisti ao trocadilho - uma bisnaga com catchup para salpicar sangue ao redor do morto. Tempos ingênuos mesmo, pois as bisnagas de catchup ficavam expostas como as de mostarda no balcão das lanchonetes o que nos permitia esses delitos com facilidade, Um crime monstruoso digo eu reavaliando a situação hoje.
Acessórios e morto morto a postos, cobríamos o defunto com jornal, acendíamos as velas e dê-lhe catchup aguado para disfarçar o cheiro.
Logo ia juntando gente e curiosos nos perguntávamos o que houvera. as respostas eram difusas, mas sempre havia alguém que jurava um atropelamento para dar veracidade ao fato. Quando o número de curiosos aumentava, alguém de nós se abaixava para rezar e levemente tocava no morto coberto pelo jornal. Era a senha. Dentro de instantes o morto levantava e sai correndo aos berros e muita gente se assustava , umas senhoras em diversas oportunidades desmaiavam e todos nós íamos para casa ao pinotes.
Certas ocasiões enfrentávamos imprevistos como de um curioso que queria roubar os sapatos, realmente bonitos da suposta defunta. Tivemos que improvisar dizendo que não pegaria bem pois os pais do morto estavam chegando e outra o morto escolhido não parava de rir e consequentemente se mexer debaixo do jornal , fato que tínhamos contornar dando chutes no morto dizendo: "Tão vendo, o morto ta morto mesmo, deve ser espasmos musculares", colou e o morto ao levantar quase matou meia dúzia de gente como era o esperado nessa babaquice. Na minha única representação como morto deu errado. Logo que me cobriram e acenderam velas com o catchup  chegaram poucos curiosos, sempre ficávamos velando o morto horas para juntar mais gente . E nessa noite uma guarnição da PM ,as joaninhas, , fusquinhas com 4 PMS, normalmente um sargento, um cabo e dosi soldados chegou e meus mui amigos saíram correndo gritando é a policia. Eu em desvantagem por estar deitado na calçada tive que me levantar para tentar a fuga e esbarrei num PM que me deteu e outros mais lentos haviam sido detidos também Documentos e revista de praxe, nada a declarar e nada de flagrante, levamos um sermão de uma meia hora que pareceu um ano, ate que nos reconhecemos , nós o s detidos e os PMs, Eles era os mesmos que acabaram com a bobagem da brincadeira do choque elétrico num poste de iluminação e identificação da rua que estava com defeito. O troço só não terminou em pizza nem com policial se fingindo de morto porque seria demais, mas depois de narrarmos as gargalhadas episódios anteriores e jurarmos não fazer mais a brincadeira do morto, fomos todos dispensados, bem diferente da PM hoje em dia que em qualquer situação chega no mínimo descendo a porrada, mas a vida dos caras atualmente é de puro estresse e eles são o tempo todo as vítimas de emboscadas e situações de risco. Tempos difíceis e estranhos esses de hoje.
Nossos encontros com essa guarnição ainda teve um ultimo episódio na noite de natal de um ano perdido no tempo onde por volta das duas da manhã nos reunimos para apostarmos corridas ate o fim da rua e voltar. as disputas eram por categorias e , idade, tipo físico etc.... E rolava apostas, cada um queria aumentar seu décimo terceiro de mesada natalina.
Pois muito bem, na ultima corrida onde Zé Carlos e Beto Maverick, dois sarados da época iam fazer a disputa mais concorrida, chegou a guarnição da PM achando que ia rolar briga, pois todos corriam sem camisas, só de tênis e jeans, para não suar a camisa da noite de natal. Feitas as devidas explicações com Beto e Zé as gargalhadas mesmo, o mal entendido foi explicado e fomos orientados a correr na orla da praia, Decidimos cancelar o último páreo, a graça era correr na rua e a algazarra na rua.
Só para constar eu e André Piolho, fomos a bancarrota na noite de aposta e quando Magno e Fred  se desafiaram sabíamos que Magno venceria de barbaba, mas faltando poucos metros nossa falência foi decretada, Magno sentiu uma fisgada na coxa entregando a vitória de bandeja para Fred. Ma minha vez , no meu páreo venci com uma arrancada fenomenal do meio para o final , pena que um corredor não podia apostar em si mesmo, regra besta.......


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