Love Radha Krishna

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domingo, 23 de agosto de 2015

Memórias: Amigo é para essas coisas....


Ainda rindo muito de um trocadilho que li no facebbok do Mauro Wermellinger e parece que realemnte houve , segundo os comentários de Marcos Junior,. Tracy Nascimento ou Milton Chapman, sei lá.... Me lembrei de um episódio que aconteceu comigo na década de noventa.
Convidei uma amiga para assistir a um show do B. B. King. Deveria ter desistido de cara quando a distinta disse: Uau, Gypsy Kings! Eu consertei e falei novamente B. B. King. Ela não conhecia, mas topou. Disse ela muito revoltada quando nos encontramos que tinha perguntado para um colega de trabalho quem era Bo Bo King e o sujeito caiu na gargalhada e teria dado uma zoada nela perguntando de qual planeta ela tinha vindo.
Bem, já estávamos na casa de espetáculos na barra da tijuca e eu arrependido pela minha insanidade já sonhava com minha cama e temas de John McLaughin. Começa o show com a banda fazendo um esquenta para o astro do blues adentrar no palco. Um dos integrantes do naipe de metais fez umas piruetas e a minha amiga disse rindo: Esse B. B. King além de bom na corneta é animado!
Nota de esclarecimento: o músico era trompetista.
Eu com uma paciência de monge tibetano expliquei que o B. B. King ainda não tinha entrado em cena e era guitarrista de blues. Ainda tenho minhas dúvidas se ela sabia o que é um blues. Depois para terminar, tive que explicar que Lucille não era uma mulher e sim o nome que B. B. King havia dado para sua guitarra. O sorriso da minha amiga não estava amarelado e sim invisível. Fim de show e não rolou nada. Eu estava esgotado! Mantivemos a amizade sem convites e tempo que passa quando poucos anos depois, na primeira edição do Rio Art Rock Festival, organizado por Leonardo Nahoum, na mesma casa de espetáculos com as atrações do rock progressivo, Bacamarte, Sagrado Coração da Terra, os franceses do Minimun Vital e os húngaros do Solaris quem eu vejo? Sim, a minha amiga e seu partner que vieram me perguntar se a noite ia ser boa, se os grupos eram dançantes. Por pouco não tive um ataque cardíaco, mas dessa vez, ou melhor, mais uma vez, com todo cuidado e paciência de Swami Prabhupada expliquei o que era rock progressivo e a diferença deste para que o casal esperava da noite. Vi um profundo desapontamento no casal, mas eles ficaram. Entretanto por pouco tempo. Cronometrei exatos 17 minutos até que o casal elegantemente se retirou do recinto. Tem mais....
No final da década, outra vez na mesma casa encontro o casal a irmã de minha amiga e outras pessoas numa mesa imensa para assistir o Yes com Steve Howe, Jon Anderson, Chris Squire, Rick Wakeman e Alan White. O jovem namorado, noivo ou marido de minha amiga me chama afoitamente para dizer que estavam animadíssimos com a noite que prometia ser da pesada. Eu deveria ter ficado quieto, mas perguntei: Como? Ele respondeu o que eu temia. Disse que seria sua primeira experiência com heavy metal. De novo tive que ser o estraga prazer e já me sentindo uma madre Teresa de Calcutá falei para ele não desanimar, mas a noite seria de rock progressivo. Eles ficaram até o final dessa vez e quero crer que a introdução do tema Owner of a Lonely Heart com uma guitarra pesada e mais do que manjada foi o que confundiu o camarada. Eles tinham ido somente para ver esse número, pois se levantaram, dançaram e aplaudiram.
Finalmente, num show do Deep Purple no mesmo local, encontro com o casal e amigos que muito esfuziantes se chegaram a mim e um deles que desconheço me perguntou o nome do vocalista do Jethro Tull. Respondi Ian Anderson e já estava com a mão na minha japa mentalizando o maha mantra Hare Krishna porque pressentia outra pérola. E não deu outra. Minha amiga disse que depois de minhas explicações eles passaram a admirar o rock progressivo. Recordo-me muito bem que respondi que aquela noite eles iriam curtir Hard Rock, que não era rock progressivo e nem heavy metal apesar de hard e metal guardarem lá suas semelhanças que tive que detalhar historicamente. Até me entusiasmei e contei a biografia do Deep Purple finalizando com minha curiosidade de ver Steve Morse que fora o escolhido para substituir Ritchie Blackmore na guitarra. Dessa vez não consegui ver se ficaram até o final.
Já no terceiro milênio, estava eu na Cinelândia atrasado para um kirtan duas horas no espaço Govinda na rua São José, quando vejo o casal subindo as escadas do teatro municipal. Parei para ler rapidamente a apresentação da noite e estava escrito o nome do maestro e orquestra sinfônica brasileira com a participação de uma senhora austríaca no violino. Realmente não guardei pela minha pressa de atrasado o nome do maestro nem da mega violinista austríaca, mas fui matutando pelo caminho o que eles pensavam ou faziam ideia da expressão 'peças de Beethoven'. Nunca obtive essa resposta pois não os encontrei mais. De qualquer forma espero que tenham gostado. Mesmo trocando as bolas desde o fatídico show do B. B. King são pessoas legais.



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