Comecei
a dormir e sonhei com um episódio bizarro de minha adolescência.
Foi muito rápido o sonho, um flashback que me acordou as
gargalhadas.
O
fato realmente aconteceu e vou narrar em detalhes.
Morava
numa rua sem saída e nos finais de semana o clube da esquina se
reunia a noite para conversar, paquerar e passar tempo. Coisa de
adolescentes. Eu e Reinaldao. Onde fica o til? É aumentativo de
Reinaldo que tem exatos dois metros e dois centímetros de altura.
Vai sem til mesmo. Eu e Reinaldao éramos os excêntricos da turma
porque comparecíamos nas reuniões do clube da esquina com discos de
rock e livros de Prabhupada e ficávamos trocando impressões recém
descobertas e muita música. Porém o fato bizarro não foi
descoberto por nenhum de nós dois. Deve ter sido descoberto ao acaso
por alguém do clube da esquina.
O
poste de iluminação e identificação da rua estava com um estranho
defeito. Davs de trinta em trinta segundos aproximadamente, descargas
elétricas que consequentemente provocavam choques elétricos em quem
estava encostado no dito cujo poste. Algum gênio da turma resolveu
que todos deveriam levar choques juntos e fizeram uma corrente ao
redor do poste para que a descarga elétrica fosse democraticamente distribuída.
A
principio eu e Reinaldao não aderimos a novidade, mas depois
fechamos com a corrente e de-lhe choques e berros coletivos para
desespero de pais e vizinhos. O único que não participou foi
Marquinho que nasceu com cardiopatia, mas já adianto que tá firme e
forte, obrigado. Porém, Marquinho tinha seu papel nessa bagunça.
Ele era o responsável por vigiar as janelas, pois baldes de água
eram jogados sobre nós o que aumentava a intensidade do choque.
Quando Marquinho gritava ha a água a corrente se desfazia e logo
depois já tinham umas toalhas enxugando o bendito poste.
O
troço ganhou certa fama e outros clubes de outras esquinas
apareceram no decorrer da semana seguinte e no outro fim de semana
onde a quantidade de jovens berrando de dor era imensa. Claro que deu
polícia. Fomos revistados e até hoje nos orgulhamos de não ter
ninguém portando algo ilícito ou desabonador. No fim da revista
coletiva até os policiais experimentaram o choque conosco e tudo foi
esclarecido, mas tivemos que voltar mais cedo para casa.
No
dia seguinte, um sábado de sol abrasador vimos com tristeza que o
poste estava sendo substituído por outro sem defeito e o clube da
esquina voltou às suas atividades normais sem incomodar ninguém. Na
verdade eu e Reinaldao não curtimos muito esses choques. Para nós
era apenas uma descoberta engraçada, mas notamos semblantes meio
pálidos e perdidos além de cochichos suspeitos.
O
mistério foi elucidado quando fomos convidados para ir no
apartamento dd uma das meninas do clube que havia descoberto a água,
o fogo e a roda. Só escrevendo assim mesmo. A danada estava em crise
de abstinência e de uns belos cascudos completo agora e estava
colocando os dedos em bocais elétricos em casa, como se ela fosse
uma tomada humana. Ficamos pasmos e isso gerou um certo afastamento
nosso do restante da turma. Preferimos ir para o ap do kibir escutar
música, trocar discos e livros. Depois que todos se enjoaram dos
choques caseiros o clube voltou ao normal com todos seus integrantes
reunidos.
Bem,
aquele poste ao menos nos fez o favor de não sermos mais os
excêntricos da turma e ganhamos eu e Reinaldao uma certa aura de
seriedade. Malucos eram os outros. Fomos salvos pelo poste. Melhor,
fomos salvos por desde o início não termos curtido essa babaquice
de ficar tomando choques como os outros que literalmente ficavam
eletrizados.
Agora
me pergunto, com tanta atividade cerebral para ser resgatada pelo
sono e sonho por que fui sonhar com essa coisa uns trinta e cinco
anos depois?
Se
é para sonhar com fatos da adolescência vou tentar mentalizar o
surfe. Muito mais interessante que um poste idiota e jovens idem.
Se
sonhar com surfe eu conto depois. Se a reminiscência for outra conto
também. Melhor seria ter um belo e reparador sono profundo.
Antes
de tentar sonhar com surfe ou quando ouvi John McLaughin ou Led
Zepellin pela primeira vez, peço encarecidamente ao meu amigo
Rogério Granado que me ajude a contar as desventuras que assistimos
e rimos muito, protagonizadas pelo Soon Teck Ho.
Já
que o negócio é varandao da saudade, que venha o Soon em doses
semanais que será muito bem vindo nas minhas memórias
compartilhadas no Facebook. Rita Villela também está convocada a
contribuir vom risadas Soon Teck Honianas. Tem mais gente nessa
convocação, Marcelo Spindola Bacha, Renato Cruz, Isac Jacob Maleh,
Mario Poubel, Mauro Wermelinger..


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