Love Radha Krishna

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domingo, 23 de agosto de 2015

Memórias: O poste chocante



Comecei a dormir e sonhei com um episódio bizarro de minha adolescência. Foi muito rápido o sonho, um flashback que me acordou as gargalhadas.
O fato realmente aconteceu e vou narrar em detalhes.
Morava numa rua sem saída e nos finais de semana o clube da esquina se reunia a noite para conversar, paquerar e passar tempo. Coisa de adolescentes. Eu e Reinaldao. Onde fica o til? É aumentativo de Reinaldo que tem exatos dois metros e dois centímetros de altura. Vai sem til mesmo. Eu e Reinaldao éramos os excêntricos da turma porque comparecíamos nas reuniões do clube da esquina com discos de rock e livros de Prabhupada e ficávamos trocando impressões recém descobertas e muita música. Porém o fato bizarro não foi descoberto por nenhum de nós dois. Deve ter sido descoberto ao acaso por alguém do clube da esquina.
O poste de iluminação e identificação da rua estava com um estranho defeito. Davs de trinta em trinta segundos aproximadamente, descargas elétricas que consequentemente provocavam choques elétricos em quem estava encostado no dito cujo poste. Algum gênio da turma resolveu que todos deveriam levar choques juntos e fizeram uma corrente ao redor do poste para que a descarga elétrica fosse democraticamente distribuída.
A principio eu e Reinaldao não aderimos a novidade, mas depois fechamos com a corrente e de-lhe choques e berros coletivos para desespero de pais e vizinhos. O único que não participou foi Marquinho que nasceu com cardiopatia, mas já adianto que tá firme e forte, obrigado. Porém, Marquinho tinha seu papel nessa bagunça. Ele era o responsável por vigiar as janelas, pois baldes de água eram jogados sobre nós o que aumentava a intensidade do choque. Quando Marquinho gritava ha a água a corrente se desfazia e logo depois já tinham umas toalhas enxugando o bendito poste.
O troço ganhou certa fama e outros clubes de outras esquinas apareceram no decorrer da semana seguinte e no outro fim de semana onde a quantidade de jovens berrando de dor era imensa. Claro que deu polícia. Fomos revistados e até hoje nos orgulhamos de não ter ninguém portando algo ilícito ou desabonador. No fim da revista coletiva até os policiais experimentaram o choque conosco e tudo foi esclarecido, mas tivemos que voltar mais cedo para casa.
No dia seguinte, um sábado de sol abrasador vimos com tristeza que o poste estava sendo substituído por outro sem defeito e o clube da esquina voltou às suas atividades normais sem incomodar ninguém. Na verdade eu e Reinaldao não curtimos muito esses choques. Para nós era apenas uma descoberta engraçada, mas notamos semblantes meio pálidos e perdidos além de cochichos suspeitos.
O mistério foi elucidado quando fomos convidados para ir no apartamento dd uma das meninas do clube que havia descoberto a água, o fogo e a roda. Só escrevendo assim mesmo. A danada estava em crise de abstinência e de uns belos cascudos completo agora e estava colocando os dedos em bocais elétricos em casa, como se ela fosse uma tomada humana. Ficamos pasmos e isso gerou um certo afastamento nosso do restante da turma. Preferimos ir para o ap do kibir escutar música, trocar discos e livros. Depois que todos se enjoaram dos choques caseiros o clube voltou ao normal com todos seus integrantes reunidos.
Bem, aquele poste ao menos nos fez o favor de não sermos mais os excêntricos da turma e ganhamos eu e Reinaldao uma certa aura de seriedade. Malucos eram os outros. Fomos salvos pelo poste. Melhor, fomos salvos por desde o início não termos curtido essa babaquice de ficar tomando choques como os outros que literalmente ficavam eletrizados.
Agora me pergunto, com tanta atividade cerebral para ser resgatada pelo sono e sonho por que fui sonhar com essa coisa uns trinta e cinco anos depois?
Se é para sonhar com fatos da adolescência vou tentar mentalizar o surfe. Muito mais interessante que um poste idiota e jovens idem.
Se sonhar com surfe eu conto depois. Se a reminiscência for outra conto também. Melhor seria ter um belo e reparador sono profundo.
Antes de tentar sonhar com surfe ou quando ouvi John McLaughin ou Led Zepellin pela primeira vez, peço encarecidamente ao meu amigo Rogério Granado que me ajude a contar as desventuras que assistimos e rimos muito, protagonizadas pelo Soon Teck Ho.
Já que o negócio é varandao da saudade, que venha o Soon em doses semanais que será muito bem vindo nas minhas memórias compartilhadas no Facebook. Rita Villela também está convocada a contribuir vom risadas Soon Teck Honianas. Tem mais gente nessa convocação, Marcelo Spindola Bacha, Renato Cruz, Isac Jacob Maleh, Mario Poubel, Mauro Wermelinger..
Raphael Villela, Edson de Oliveira, e aproveito as citações para uma última pergunta, quem tem noticias do Fausto Tendler?


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