Depois
de uma conversa extremamente instrutiva com prabhu Nitay Nataraj
Tarólogo, aliás Tarot é com ele mesmo, o cara saca muito e quem
quiser pode me procurar in box que faço a ponte, ou melhor, Nitay,
deixa uma outra forma de contato nos comentários.
Voltando....
Depois do bate papo fui fuçar minha caixa de mensagens. Amigos e
amigas me pedindo para escrever como comecei a conhecer música. O
mais lógico seria responder ouvindo, mas creio que não é isso que
esperam. Então vamos lá.
Por
ser vizinho de prédio da saudosa Nara Leão e meu pai ser
profissional das artes cênicas. Viveu por e para isso, tendo
falecido falido pelo mesmo motivo, depois eu conto essa passagem do
velho devoto de Yogananda. Já citei a Nara que sempre me saudava com
um olá menino como vai? O menino sempre com sua inseparável prancha
de surfe ficava desconcertado com tamanha gentileza e simplicidade.
Ainda citando Nara e meu pai conheci Vinicius e Chico Buarque e já
se pode delinear que meus primeiros acordes e vozes cantadas não
foram Rock ou Jazz. Por influência deles cheguei ao mestre e gênio
criador da Bossa Nova, João Gilberto e mais tarde, quando era bom e
prazeiroso o ofício de jornalista, tive o prazer de conviver com Tom
Jobim no Plataforma e suas deliciosas histórias. Foi assim que
comecei a ouvir música.
Paralelamente
a esse aprendizado que incluiu Airto Moreira, Naná Vasconcelos,
Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti e as turmas baianas e mineiras, eu
tinha a mania de trocar o dia pela noite e passava as madrugadas
ouvindo Eldo Pop, depois 98 FM, além de assisitir aos sábados pela
tv os programas Rock Concert e Sábado Som, fui mordido por um troço
chamado rock e suas derivações. Minhas primeiras dez bandas de rock
que me deixaram fissurados foram por ordem de preferência o AC DC,
Rolling Stones, Pink Floyd, Beatles, Ted Nugent, Van Halen, Tangerine
Dream, Journey, Uriah Heep e Rory Gallagher. Depois
essa lista sofreu mudanças ou adições como Wishbone Ash, The
Groundhogs Neil Young, Jeff Beck, Led Zeppelin, Frank Zappa, Lynyrd
Skynyrd, Allman Brothers Crosby, Stills and Nash, Johnny Winter,
Clapton, Weather Report, Genesis, Jethro Tull, Dust, ELP, Rainbow,
Sabbath, Purple Whitesnake, Grateful Dead, Camel, King Crinsom, The
Doors, Traffic, Allan Holdsworth, Pat Metheny, Janis Joplin, Joni
Mitchell, Hendrix, Joe Cocker, Santana, Joni Mitchell, Yes,
Jefferson, Miles Davis, Chet Baker e Mahavisnhu Orchestra onde
conheci meu guitar hero John MacLaughin e muito mais. A grande
dificuldade era ouvir e gravar a programação das rádios e ter que
ficar horas esperando o locutor falar os nomes de temas e seus
autores, coisa que nem sempre acontecia. Tive dificuldades em
relacionar nomes como Schullman com a banda Gentle Giant e John Camp
com Renaissance entre outros. Fazia mais de uma ligação diária
para as rádios justamente para tentar descobrir quem e qual tema era
a faixa três da programação de uma hora atrás. Qual o nome e
gravadora do disco e tempos depois descobri porque os locutores
quando atendiam passavam informações meio de mau humor, isso quando
passavam. Eu não era o único maluco, milhares de outros faziam o
mesmo..... Outra dificuldade inicial era achar os discos descobertos.
As redes populares como Moto Discos e Gabriela por exemplo só tinham
exemplares da minha primeira lista básica, por isso a mais fácil de
adquirir e um ou outro considerado mais difícil de se achar.
Descobri a importadora Modern Sound com seus preços devidamente
dolarizados e lá comprava dois discos por mês, pesquisando e
anotando as futuras aquisições. Fui finalmente apresentado ao
jornal Balcão, especializado em compras e vendas de tudo, inclusive
discos raros de rock e jazz. Conheci através do Balcão a loja
Balzac no Catete e lá comprei muito material usado mas em excelente
estado de conservação e fui adquirindo mais conhecimento de bandas
e artistas até então desconhecidos de minha parte. Ainda pelo
balcão, fiz amizade com dois vendedores autônomos, Zé Eduardo e
Orlando que pouco depois fundaram a Halley Discos onde fixei minha
base principalmente depois que Orlando ficou como proprietário único
do estabelecimento e com sua memória prodigiosa me apresentou a tudo
no mundo da música. Tudo mesmo. Até o que não existia passava a
existir nas mãos do Orlando. Dava minhas escapadas para garimpar
itens na Satisfaction, Caixa de Música de dois irmãos, Mário e
Cláudio que mais tarde ao fechar a Caixa ficou famoso como slide
guitar da banda Blues Etílicos e outra loja menos frequentada por
minha parte, a Hard and Heavy. Mas a Halley foi a minha grande
universidade musical.
Décadas
depois tive que fugir um pouco da Halley para não ver a decrepitude
do Wagner Sonn Teck Ho e me abriguei na Scheherazade Cds de meu amigo
Renato apenas para me manter atualizado e comprar muitos Dvds. Porém
o falecimento do Orlando Halley praticamente decretou o fim de uma
era de ouro. Um novo ciclo se iniciava com os WWWs, sites e o YouTube
que tem de tudo para todos mas é inegável a falta que faz o Orlando
e sua paciência de monge em aturar figuras ímpares que diariamente
batiam ponto na Halley para discutir calorosamente quem era melhor,
Jack Bruce ou Jaco Pastorious? Clapton ou Beck ou Page? Vencia nesse
caso o Page escudado por Robert Plant e Led. No dia seguinte a
discussão era sobre o Genesis de Peter Gabriel e pós Peter Gabriel
ou qual formação do Purple era melhor, inclusive qual dos
guitarristas que passaram pela banda o fundador Ritchie Blackmore ou
seu substituto o finado Tommy Bollin era melhor. A trinca formada por
eu, Emilio e Hellios preferia Bolin, mas perdíamos em quantidade
para os fãs de Blackmore e hoje a guitarra da banda está com o
genial Steve Morse. O Mais legal é que Orlando participava das
discussões e botava para tocar álbuns e mais álbuns além de
fomentar outros debates como qual o melhor álbum do Floyd por
exemplo. Meu voto nesse quesito foi Atom Heart Mother e o dele foi
Wish You Were Here, mas suspeito que fomos derrotados por Dark Side
of the Moon. Lembro-me de um debate no qual não houve vencedor,
MacLaughin. x Zappa e outros....Descluoa os fãs de Zappa que meuiro admiro e ouço com prazer, mas MacLaughin em minha modesta opinião é melhor.
Foi
assim que fiz meu mundo musical que preservo até hoje e tudo começou
com a Bossa Nova, dado que muitos desconhecem e me motivou a escrever
esse texto. Espero ter saciado a curiosidade de todos.
Outro
assunto que pedem-me com frequência é a minha busca pelo divino.
Adianto que ele está dentro de nós e nós no mais das vezes estamos
distantes Dele, mas fico por hora devendo essa parte de minha
autobiografia. Agora vou vou dormir ao som de....... John MacLaughin
& Shakti. Até qualquer hora!

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