Apesar de ter acompanhado a partir dos meus vinte e cinco
anos aproximadamente a trajetória do Movimento Hare Krishna no Rio de Janeiro,
suas trocas de localidades e etc, um pouco mais maduro na consciência de
Krishna e depois de alguns retiros espirituais e vivências em comunidades Hares
no país, resolvi por mera curiosidade conhecer e frequentar templos não
filiados a Iskcon.
Ritualisticamente e doutrinariamente poucos fogem as regras
e regulações estabelecidas por Srila Praphupada, mas detecto alguns empecilhos
futuros.
O mais relevante deles é que não são instituições com bases
sólidas, normalmente quem os lidera trabalha duro para manter o templo, pagando altos aluguéis, contas de luz, IPTU e outras. A primeira pergunta que
me vem a cabeça , um, a vez que as contribuições dos devotos desses templos são
irrisórias é, quando esses líderes abandonarem o corpo físico, será que que
esses templos vão sobreviver? Quem vai levar adiante tamanha responsabilidade?
Vejo um templo na Tijuca onde funciona um restaurante vegetariano para ter uma
renda extra e sobrevive graças ao empenho de seu fundador. Mas, ainda assim,
esse templo independente, não sobrevive somente do restaurante e aí , quando o nobre
líder, vier a abandonar o corpo físico como fica?
Outra interessante questão que é bem visível nesses templos,
as panelinhas de devotos que incluem e excluem do convívio deles demais devotos
por motivos diversos. Nesses aspecto a falha é grande e estão todos os
envolvidos presos nas garras de maya e não percebem isso. O principal motivo
existente nessas panelinhas é uma suposta amizade baseada em o neófito tem que
estar sempre disposto a fazer de tudo, até aí tudo bem, mas todos tem sua vida
particular e a partir da primeira discordância a suposta amizade se desmonta
como um castelo de areia. Não é bem assim na Iskcon onde a máxima de um genuíno vaishnava é ser devoto de Vishnu e
misericordioso por natureza.
Uma outra preocupação forte em relação a esses templos é a
urgente necessidade de se iniciar devotos formalmente a qualquer hora sem que
os quais se mostrem minimamente preparados. Conheço um que mesmo após sua iniciação feita com menos de três
meses de frequência de um templo, sequer tinha comprado o seu exemplar do Gita
e quando o fez, nem tirou o lacre do livro sagrado. Dar as 16 voltas em sua
japa é artigo raro para esse e outros devotos iniciados assim tão precocemente,
na vã tentativa de se formar uma congregação. Por esse sentido me alinho a
Iskcon que se inicia devotos depois de muito estudo e serviço devocional e meu
amigo Giridhari Das do Paraíso dos Pândavas afirma (e eu concordo pois convivi
com ele em seu paraíso) que se a pessoa tem interesse e estuda com afinco os
Vedas, da suas 16 voltas em sua japa, já está iniciado. Partindo dessa premissa, o ritual de iniciação passa
nesses templos como uma mera vaidade
para o iniciado e uma agônica tentativa de se fazer uma congregação, já citada
acima, mas o curioso é que depois de algum tempo, esses devotos migram para a
Iskcon e os templos independentes continuam a míngua.
Os harinamas (cantar os Santos nomes do Senhor ao ar livre) promovidos por esses templos independentes são verdadeiras bagunças de desorganização, marcam-se vários horários, dias e locais. Quando se consegue chegar a um denominador comum, o máximo que vi comparecer foram cinco devotos, ao passo que o mesmo processo feito pela Isckon é previamente marcado e nunca adiado e tem sempre o mínimo de quinze particpantes, fora o fato de que além de cantar os Santos nomes, a Isckon também faz após o harinama, a distribuição de livros , incensos etc, que é chamado de sankirtana.
Os harinamas (cantar os Santos nomes do Senhor ao ar livre) promovidos por esses templos independentes são verdadeiras bagunças de desorganização, marcam-se vários horários, dias e locais. Quando se consegue chegar a um denominador comum, o máximo que vi comparecer foram cinco devotos, ao passo que o mesmo processo feito pela Isckon é previamente marcado e nunca adiado e tem sempre o mínimo de quinze particpantes, fora o fato de que além de cantar os Santos nomes, a Isckon também faz após o harinama, a distribuição de livros , incensos etc, que é chamado de sankirtana.
Outra questão que suscita
reflexão: Apesar do discurso de boa convivência e aproximação da Isckon,
os devotos mais influentes desses templos independentes são fundamentalistas ao extremo. Apresentam discurso coerente mas não aceitam a autoridade de gurus e alguns acharyas (mestres), os
swamis. Para eles o único guru é Prabhupada. Concordo em termos, mas não
devemos descartar o conhecimento que os atuas swamis possuem e nem esquecermos
que esses mesmos swamis são seres humanos passíveis de erros, sendo muito
natural discordar de um , ter mais afinidade com o discurso de outro e assim
por diante, mas negá-los em sua totalidade e apontar seus possíveis defeitos é
o mesmo que apontar seus próprios defeitos. E claro que em qualquer corrente
filosófica–religiosa existe uma banda podre e quem teve dentro da Isckon e
saiu, carrega em negrito as críticas , se esquecendo que em outras religiões
também existem os maus caracteres que distorcem tudo a seu bel prazer e
nefastas intenções. Infelizmente a liderança em qualquer aspecto trás essas
tentações de maya. E oque ouvi de ruim a respeito da Isckon não foi comprovado, diga-se de passagem.
Trocando em miúdos, todos esses templos , até os de má
reputação, o que não é o caso do citado
templo situado na Tijuca, Rio de janeiro,
são ou tentam ser vaishnavas ou narayanas, mas
com todas as suas possíveis falhas, a Iskcon idealizada por Srila
Prabhupada é a guia mestre de todo o Movimento Hare Krishna e a forma mais
confortável da pessoa se situar em uma das plataformas de relacionamento com o
Senhor Krishna , o Todo Atrativo e Controlador Supremo. Hari Bol!
Kirtana em templo da Iskcon

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