Love Radha Krishna

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Memórias: Má lembrança



Especificamente nesta postagem em nenhum momento quero desmerecer ou desacreditar a religião umbandista, pois o troço aconteceu mesmo e me envolveu sob vários aspectos, quase todos muito ruins.
Trabalhava na Casa do Caboclo Pena Verde já tinha alguns meses quando passamos todos a notar a ausência constante da Mãe Pequena Denise, filha biológica da Ialorixá Mãe Diva. Especulamos muito até que soubemos que Denise flagrou seu marido na cama com outra e estava em profunda depressão.  Denise era um mulherão de parar o trânsito, loira de olhos verdes, mas com aquele corpo e rosto que tanto fazia se fosse morena de cabelos negros, ou negra ou ruiva ou azul.
Um belo dia, melhor dizendo, bela noite, Mãe Denise retorna aos trabalhos e vida que segue. Muito provavelmente por carência ou por eu ser naquela época mais atirado mesmo, fui escolhido para cambonear a Pomba Gira dela num trabalho na floresta da Tijuca e no fundo da mata, a entidade tirou a roupa, me pediu para fizesse amor com ela, pois estava com saudade  dos prazeres carnais. Obedeci, suspeitando  que era animismo da super gostosa Mãe Pequena. De volta ao centro, me aproximei envergonhado e cabisbaixo de Denise para contar-lhe  o acontecido. Ela deu uma gostosa gargalhada e disse que sabia, que a entidade tinha me escolhido para ela. Começamos a flertar e logo a namorar. A primeira cama, tirando a timidez, foi explosiva. O primeiro mês foi uma bomba relógio no bom sentindo, com ambos considerando o outro o máximo e começaram as brincadeiras e fetiches. Confesso que se fosse uma médium feia, que me perdoe a entidade, mas não teria viagra que desse solução.
Tudo corria bem e sem entidade, um homem e uma mulher, até que Denise começou a querer saber como eu beijava uma namorada que eu tivera e ela conhecera no centro e  que aqui chamo de Renata.
Comecei  a me esquivar do assunto até porque eu e Renata duramos apenas 4, no máximo 5 meses e não tivera importância nenhuma para ambos, contudo Denise foi ficando agressiva, me jogou um cinzeiro na testa, fez um puta galo. De outra feita, além de outro cinzeiro voador, pegou uma faca de cozinha, pos na minha barriga e disse que eu tinha que beijá-la como beijava Renata. Dei-lhe um beijo nervoso e ela achou ruim, disse que eu tava mentindo. Eu consegui tirar a faca de Denise e pela primeira e única vez na vida, dei um tapa na cara de uma mulher. Denise rodopiou e caiu derrubando um copo. Fizemos amor ali, com os lábios de Denise deixando verter um filete de sangue. Sexo anal no meio de estilhaços de vidro e pontas de cigarro amassadas. Lembro-me bem disso.
Pensei que essa mania fosse acabar, Denise comprou ou já tinha - não sei ao certo -  uma série de roupas eróticas temáticas e sempre, mesmo sem essas roupas com ligas meias e acessórios, ela trepava de salto alto e  perguntava se Renata fazia assim. Eu escolado para cacete dizia que não.
A situação piorou na noite em que os dois meio bêbados deixaram cair os copos de cognac. Fui pegar outros e Denise me abraçou pelas costas, mais uma vez com uma faca na mão. Encostou a lâmina na minha face e disse que me cortaria todo, de modo que eu ficaria tão repugnante que só ela conseguiria me olhar. Entendi isso como uma declaração de amor perigosa, e foi. Foi também a minha salvação, pois falei que nunca uma mulher tinha sido tão sinceramente forte e apaixonada como ela. Denise afrouxou o abraço e a pressão na minha cara. Eu me virei, abaixei lentamente e comecei a lhe chupar. Denise gozou e ficou com as pernas bambas, coloquei-a sentada na pia, o que provocou a quebra de mais alguns copos e mais uma vez nos entregamos um ao outro com vontade, derramando pelo seu corpo e lambendo qualquer bebida que pudesse alcançar. Gozamos. Essa foi nossa última noite juntos, nosso último tudo juntos. Nosso último. Último.
A relação tinha atingido um patamar em que alguém ia se machucar sério, fiquei com medo e estudava  melhor maneira de cair fora, aquilo de forma obsessiva, por mais que Denise fosse um mulherão, estava me deixando enlouquecido e apavorado. No início tesão, mas nos últimos dias algo próximo de um horror que aconteceria e não me passava pela cabeça.
Nos  fins de semana que não havia gira, nos que haviam também,  normalmente eu ficava com Denise até segunda feira. No fatídico fim de semana  de uma tragédia previamente anunciada, aleguei para Denise que ia ficar em casa me recuperando de uma inflamação na garganta, ela fingiu muito bem aceitar a explicação e disse que me visitaria no domingo. Eu estava com uma bela ressaca devido a noite anterior com ela e outros médiuns do centro, em bebedeira num barzinho. Já tinha combinado de visitar uma amiga para quem desabafei, contando o que estava  vivenciando. Acabei transando com essa amiga que depois, passou a me evitar.
No dia seguinte, cedo, toca do telefone. Era Mãe Diva, Denise tinha se matado com um tiro no coração e deixara um bilhete: “Querido David, antes que você me traia, deixo teu caminho livre. Beijos com amor Denise.”
Além do choque, da sensação de culpa – pois eu tinha traído Denise mais ou menos na hora em que ela se suicidava – e um depoimento simples na polícia, ver o corpo de causar inverja, inerte, sem moviment e jaexalando o ododr da ausência de vida, tive todos os sentimentos que possíveis e impossiveis de iamginas e a vonatde de morrer junto com Denise.
Acompanhei de longe e bêbado seu sepultamento. Fui embora e nunca mais tive coragem de trabalhar naquela excelente casa de Umbanda. Recentemente soube que o pai biológico de Denise faleceu de senilidade. Denise pode não ter sido o grande amor de minha vida, sua personalidade não deixava, mas era sem dúvida uma excelente médium e nos seus últimos instantes de vida, provou da forma mais mórbida que se possa conceber, que mais que uma excelente médium, era uma médium tão perfeita como era sua beleza.


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