Love Radha Krishna

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domingo, 23 de agosto de 2015

Memórias: O Goela Larga




Caros leitores. Um pequeno preâmbulo para um episódio musical estranho no mínimo.
Quando se troca de esfera social, seja lá qual for, religiosa, emprego, faculdade, bairro etc etc etc, antigos amigos tendem a ficar distantes ou mesmo sumirem do convívio. Uma estranha sensação de que passei para um lado oposto me acomete nessas horas, como se eu tivesse cometido a heresia de ter trocado de time de futebol e traído velhos amigos. O que não significa que houve de minha parte rejeição ou algo similar. Só posso falar da minha parte, mas em minha memória e coração guardo a todos com muito carinho e quando descubro ou sou descoberto no universo virtual por um antigo ou antiga parceria de aventuras e risadas meu coração se enche de felicidade como foi o caso recente da Diana e Amli Paula dos velhos tempos da PUC RJ. Nesse ciclo de rituais de passagens muitos camaradas sumiram do mapa e novos amigos foram reconhecidos. Citando Vinicius de Morais, amigos a gente não faz, amigos se reconhecem e porque não dizer, se reencontram como Krsna Keshava Dasa, Govinda Gopal Marco, Cintamani Hare Krishna e tantos outros. Mas realmente gostaria de retomar contato com o casal musical que meu deu certo trabalho didático-musical, gente super fina e que estava descobrindo novos horizontes do inesgotável arsenal de gêneros musicais assim como uma turma mineira que me proporcionou momentos de pura diversão.
Agora sim entro em outro episódio musical um tanto quanto bizarro, mas repleto de momentos de pura e inocentes risadas, surpreendente mesmo. Alguém pode me dizer por onde anda o goela larga? Essa alcunha sui generis se deve a um artista local do triângulo mineiro que fui assistir num bar super bem transado, estilo rústico em minas gerais com amigos de lá.
O nome goela larga a princípio me fez pensar em uma voz potente e estrondosa. Mas, foi um engano de interpretação da minha parte. O bravo goela larga tinha esse nome, na verdade o apelido era outro bem parecido, sinônimo da alcunha goela larga, entretanto quem conhece sabe da figura da qual se trata
Retornando, nome artístico não se deve por um suposto potencial vocal e sim pelo hábito de tomar uma dose de pinga após cada música executada no estilo voz e violão. Claro que depois da sétima música sua voz estava embargada, mas sua técnica no violão não ficava comprometida. Seu repertório como todo bom mineiro incluía Beto Guedes, Lo Borges e compositores regionais de São Thome das Letras e adjacências. Até ai tudo maravilhoso. Porém quando o goela em seu bis resolveu tocar covis rs, o troço ficou bizarro e muito divertido apesar do álcool que indiscutivelmente faz muito mal a saúde. Mesmo no inverno mineiro, rigoroso em certas cidades, fiquei no café e chocolate quente.
Nosso herói ou anti-herói começou sua série de covis com Eric Crepto e a melodia assim como a letra me lembraram vagamente Tears in Heaven. Depois foi a vez dos bitus onde o covis de Let it Be foi até razoável considerando o possível estado etílico do goela. Por último nosso bravo artista encerrou sua performance com uma de João Lennon
Porém, não era uma música qualquer e sim o genial tema Woman e nos aplausos finais ele teve a infelicidade de se desequilibrar do banco e cair. Ainda tenho impressão que essa queda foi jogo de cena apoteótico.
São esses saudosismos que me acometem essa noite
Por onde anda o casal musical que comparecia aos shows mesmo pensando ser de um gênero musical e na verdade era outro? E o goela? Reminiscências sinceras e saudosas de bons momentos que passaram e temo que foram apagados pelo passar dos tempos. Viraram cinzas ou poeira cósmica.
Amanhã conto o episódio mais que bizarro e porque não dizer sobrenatural que meu falecido pai me fez vivenciar num evento chamado MMPB ou Moderna Música Popular Brasileira. Meus amigos, essa será de rolar de rir. Boa noite ou bom dia!


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