Quando se troca
de esfera social, seja lá qual for, religiosa, emprego, faculdade,
bairro etc etc etc, antigos amigos tendem a ficar distantes ou mesmo
sumirem do convívio. Uma estranha sensação de que passei para um
lado oposto me acomete nessas horas, como se eu tivesse cometido a
heresia de ter trocado de time de futebol e traído velhos amigos. O
que não significa que houve de minha parte rejeição ou algo
similar. Só posso falar da minha parte, mas em minha memória e
coração guardo a todos com muito carinho e quando descubro ou sou
descoberto no universo virtual por um antigo ou antiga parceria de
aventuras e risadas meu coração se enche de felicidade como foi o
caso recente da Diana e Amli Paula dos velhos tempos da PUC RJ. Nesse
ciclo de rituais de passagens muitos camaradas sumiram do mapa e
novos amigos foram reconhecidos. Citando Vinicius de Morais, amigos a
gente não faz, amigos se reconhecem e porque não dizer, se
reencontram como Krsna Keshava Dasa, Govinda Gopal Marco, Cintamani
Hare Krishna e tantos outros. Mas realmente gostaria de retomar
contato com o casal musical que meu deu certo trabalho
didático-musical, gente super fina e que estava descobrindo novos
horizontes do inesgotável arsenal de gêneros musicais assim como
uma turma mineira que me proporcionou momentos de pura diversão.
Agora sim entro
em outro episódio musical um tanto quanto bizarro, mas repleto de
momentos de pura e inocentes risadas, surpreendente mesmo. Alguém
pode me dizer por onde anda o goela larga? Essa alcunha sui generis
se deve a um artista local do triângulo mineiro que fui assistir num
bar super bem transado, estilo rústico em minas gerais com amigos de
lá.
O nome goela
larga a princípio me fez pensar em uma voz potente e estrondosa.
Mas, foi um engano de interpretação da minha parte. O bravo goela
larga tinha esse nome, na verdade o apelido era outro bem parecido,
sinônimo da alcunha goela larga, entretanto quem conhece sabe da
figura da qual se trata
Retornando, nome
artístico não se deve por um suposto potencial vocal e sim pelo
hábito de tomar uma dose de pinga após cada música executada no
estilo voz e violão. Claro que depois da sétima música sua voz
estava embargada, mas sua técnica no violão não ficava
comprometida. Seu repertório como todo bom mineiro incluía Beto
Guedes, Lo Borges e compositores regionais de São Thome das Letras e
adjacências. Até ai tudo maravilhoso. Porém quando o goela em seu
bis resolveu tocar covis rs, o troço ficou bizarro e muito divertido
apesar do álcool que indiscutivelmente faz muito mal a saúde. Mesmo
no inverno mineiro, rigoroso em certas cidades, fiquei no café e
chocolate quente.
Nosso herói ou
anti-herói começou sua série de covis com Eric Crepto e a melodia
assim como a letra me lembraram vagamente Tears in Heaven. Depois foi
a vez dos bitus onde o covis de Let it Be foi até razoável
considerando o possível estado etílico do goela. Por último nosso
bravo artista encerrou sua performance com uma de João Lennon
Porém, não era
uma música qualquer e sim o genial tema Woman e nos aplausos finais
ele teve a infelicidade de se desequilibrar do banco e cair. Ainda
tenho impressão que essa queda foi jogo de cena apoteótico.
São esses
saudosismos que me acometem essa noite
Por onde anda o
casal musical que comparecia aos shows mesmo pensando ser de um
gênero musical e na verdade era outro? E o goela? Reminiscências
sinceras e saudosas de bons momentos que passaram e temo que foram
apagados pelo passar dos tempos. Viraram cinzas ou poeira cósmica.


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